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05/09/2020

Switch em pacientes suprimidos

Dra. Mônica Gomes, apresentou uma série de estudos que avaliavam a simplificação da terapia antirretroviral na prática clínica, em especial, a troca, ou switch na terapia antirretroviral em pacientes com carga viral suprimida.

Segunda fala do Aids in Bahia, 2020, a Dra Mônica Gomes, neurologista e infectologista, professora de Infectologia da Universidade Federal do Paraná, apresentou uma série de estudos que avaliavam a simplificação da terapia antirretroviral na prática clínica, em especial, a troca, ou switch na terapia antirretroviral em pacientes com carga viral suprimida.


Para a especialista, ao longo de anos de prescrição, o profissional adequa a forma de prescrever a partir das inovações científicas que surgem para estratégias terapêuticas.


“No passado, iniciou-se a terapia antirretroviral com monoterapia, depois uma terapia associada com 2 antirretrovirais e, surgindo inibidores de protease, a terapia tripla foi considerada altamente eficaz”, relata Gomes.


Entretanto, novos estudos têm sugerido que a terapia dupla voltou a mostrar um potencial. Para ela, o mais importante não são o número de retrovirais que se prescreve, mas quais medicamentos são combinados. A desintensificação da terapia se deve, principalmente, por conta da toxicidade dos medicamentos. “Pacientes estão envelhecendo e isso tem sido associada a uma ocorrência de doenças renais e ósseas. E por essa inabilidade de manter esse medicamento, novas terapias têm sido investigadas”, afirma.


Na ocasião, a infectologista relatou uma série de estudos (fase três, randomizados e prospectivos) em que foi realizado o Switch de uma terapia tripla para uma terapia dupla e que demonstraram a não inferioridade em relação à terapia tradicional.


“Esse é um princípio da terapia switch: precisa-se garantir que os dois antirretrovirais são ativos e que a minha troca vai manter a supressão virológica em termos de passado”, ressalta. Além disso, destacou a importância dos pacientes não apresentarem hepatite B crônica, ou outras comorbidades.


Atualmente o PCDT de Manejo da Infecção pelo HIV em adulto não recomenda a terapia dupla inicial, mas recomenda a simplificação,  desintensificação e troca por toxicidade com uso preferencial de DTG+3TC, tendo em vista que o paciente não tenha apresentado falha prévia, tenha adesão regular à terapia, carga viral indetectável, não ter Hepatite B, nem tuberculose, ser adulto e não estar grávida.


“A tuberculose e gestação, além da insuficiência renal grave, ainda possuem lacunas de conhecimento e são necessários mais dados para saber se a terapia dupla é adequada”, descreve.


Dra. Mônica ressalta que a terapia antirretroviral “pode e deve ser adequada com as necessidades dos pacientes”. No caso de toxicidade da terapia utilizada, é necessário fazer o ajuste, que, às vezes, pode ser uma desintensificação para uma terapia dupla.


“Mas devem ser consideradas as comorbidades, em especial a Hepatite B, as interações medicamentosas, comodidade posológica, estudos clínicos (para verificar se aquela dupla que pretendo fazer uso foram efetivamente avaliados em ensaios clínicos randomizados e nos desafios da vida real), e a preferência do paciente”, encerra.


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