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05/09/2020

Uma versus múltiplas pílulas

Estudos identificam o impacto de uma dose única para adesão e eficácia de tratamento, foi o que discutiu o professor e pesquisador Lauro Pinto Neto, da Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (EMESCAM)

Estudos identificam o impacto de uma dose única para adesão e eficácia de tratamento, foi o que discutiu durante o primeiro simpósio do Aids in Bahia o professor e pesquisador Lauro Pinto Neto, da Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (EMESCAM).


Na ocasião, lembrou, historicamente, da evolução do tratamento com TARV, que ocorriam em esquemas complicados. “Eram 6 comprimidos de zidovudina, 4 de didanosina e 12 de ritonavir”, refletiu. Para ele, esse foi um dos grandes desafios para o tratamento do HIV à época.


Entretanto, o maior desafio está por vir. Com o sucesso dos protocolos, pacientes estão tendo a oportunidade de envelhecer e acabam, por conta da idade, desenvolvendo necessidades de saúde. “Nossas coortes estão passando dos 50 anos, e há o desafio de tomar mais remédios e mais medicamentos”, relata.


Estimativas indicam que a proporção de pacientes com mais de 50 anos vai aumentar de 28%, em 2010, para 73% em 2030, o que torna o tratamento um desafio. Para o especialista, a prática clínica deve começar a planejar o problema da polifarmácia, já que mais da metade dos pacientes incorporarão novos medicamentos além dos retrovirais e 20% utilizarão três ou mais medicamentos. 


“Como as pessoas estão envelhecendo, não será só tratamentos de HIV, como também dislipidemia, hipertensão, resistência à insulina, por exemplo”. Prof. Neto afirma que a ideia de se fazer uso de menos pílulas é facilitar a adesão por longos períodos de tempo, tornar mais difícil que uma droga seja esquecida em detrimento da outra, reduzir impacto de muitas pílulas no cotidianos de pacientes e reduzir impacto na adesão.


Um estudo publicado no Clinical Infectious Diseases, de 2014,comparou esquemas de dose única, esquema de duas doses e o número de pílulas. Sabe-se que tomar uma vez ao dia tem implicação de aceitabilidade mais do que duas vezes ao dia. Mas o ponto do estudo é a análise se o número de pílulas importa. Neste trabalho, tanto a aderência, como a supressão virológica, tiveram impacto se tinha uma pílula só, ou menor doses. Nas duas circunstâncias, uma pílula foi melhor para efetivação do tratamento de pacientes.


O especialista também demonstrou mais um estudo, desenvolvido entre 2006 e 2008, avaliando mais de 7 mil pacientes, que identificou que a adesão foi maior com pílula única, do que com mais pílulas, e demonstrou que havia uma adesão melhor e uma taxa de hospitalização melhor.


“Hoje temos diversas opções de pílulas únicas com menos efeitos colaterais”, defendeu o professor sobre a necessidade de simplificar tratamentos e garantir a saúde de pacientes para longo prazo.


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